Seres humanos extremamente evoluídos, que estiveram entre nossa humanidade em diversas épocas, acreditavam na máxima da existência, ou continuidade da vida, após a morte do corpo físico.
Se entendemos que as mensagens deixadas por tais mestres possuem embasamento lógico, e são de extrema sabedoria, comprovadas por nós mesmos através de suas aplicações em nossas vidas, através de sua vivência real, por que relutamos em não acreditar no conteúdo das mensagens que ensinam sobre a continuidade da vida?
Exigimos, a cada dia, e talvez como uma forma de alento aos nossos defeitos e vícios, provas da existência post mortem, pois, talvez, nos seja mais confortável partir de um princípio onde, talvez, e apenas talvez, tudo a respeito da continuidade da vida possa ser verdade e, em estando na dúvida, continuamos a agir sem fé no porvir, ignorando leis universais e nos embebedando cada vez mais nos prazeres temporários e oscilantes providos pela matéria.
Nos deixamos levar, dia após dia, pelas satisfações de nossas conquistas mundanas temporárias, que nos geram pequenas doses da felicidade artificial, produzida nos laboratórios de um mundo ilusório, sem a menor consistência ou prazo de validade.
Os anos se passam, e cada vez mais rápidos, e nos deparamos com a velhice de nossos dias, e, ao olharmos para trás, realizamos que nossas vidas continuam da mesma forma que sempre foi: continuamos a ter os mesmos tipos de problema de relacionamento conjugal, porém, com companheiros ou companheiras diferentes; continuamos a trabalhar de forma intensiva, porém, em empresas diferentes; continuamos com os mesmos hábitos nocivos que sustentamos por anos, porém, com drogas diferentes.
Ao analisarmos as nossas vidas, de um ponto de vista puramente material, continuamos a ser os mesmos homens ou mulheres de décadas atrás, com as mesmas alegrias e tristezas temporárias, que surgem e desaparecem com o passar do tempo, deixando-nos incompletos e vazios em alguma coisa, por alguma razão que não sabemos explicar.
Como se recebêssemos oportunidades oriundas de lugares ou estados de consciência que desconhecemos, sentimos, por poucas vezes, e como que centelhas de luz em meio a uma escuridão desolada, em poucos momentos puros de inspiração amorosa, a vontade de realizar obras diferentes em nossas vidas, de sair da rotina existencial que nos acompanhou por toda a vida, buscando alguma coisa incompreensível, mas superior, ao nosso estado de consciência.
Nesses momentos singulares entendemos que estamos em sofrimento, talvez por sermos quem sempre fomos, talvez por estarmos estacionados por décadas em idéias materialistas ou talvez por nunca termos procurado por algo maior em nossas vidas, fora do contexto material. Eis que, como que um sopro invadisse nossos corações, nos sentimos inquietos, buscando por algo que desconhecemos, mas que, de alguma forma, nos impele a acreditar que nos será bom, que nos trará a felicidade e a paz que nunca tivemos em nossas vidas.
Experienciamos, nesses raros momentos, uma sensação nova, diferente de todas as outras que já tivemos, e que, de certa forma, apenas pelo simples fato de vislumbrar a possibilidade de ser útil àqueles que mais sofrem, completa os espaços vazios que carregamos em nós por muito tempo. Satisfaz, mesmo que por um curto espaço de tempo, aquela sensação de vazio que sempre nos leva a questionar a origem, mesmo tendo em nossas vidas tudo o que consideramos suficiente para sermos felizes.
Nasce, então, dúvidas e mais dúvidas sobre o que poderia estar errado, faltando, necessitando ser reparado em nossas vidas, afim de que possamos desfrutar por mais tempo dessa tão singela, mas verdadeira felicidade que tivemos a breve oportunidade de experimentar.
Mesmo não sabendo o que é, iniciamos a busca por algo maior, além da matéria, desconhecido aos nossos olhos materiais, mas que já pode ser sentido em nosso coração. Iniciamos pensamentos mais nobres em nosso íntimo, e já passamos a não dar a mesma importância às coisas materiais que outrora eram veneradas por nós, entendendo que a felicidade proporcionada por tais coisas sempre foi temporária.
Acervo de Reflexões | Junho de 2012
