O Templo Espiritualista Amigos de Vida Plena teve sua fundação pautada na máxima de transformação através da palavra, onde fundamentos religiosos, filosóficos e humanos são aplicados, de forma prática, como sendo os elementos centrais neste processo de transformação e empoderamento individual humano. Envidamos os nossos maiores esforços individuais para agimos conforme nossas crenças, fundamentadas nas verdades aprendidas ao longo de nossa jornada, e buscamos, acima de tudo, sermos fiéis a tais verdades, desde que tais verdades sejam capazes de se manter íntegras e coerentes entre si ao longo do processo, sob o julgo do tempo e sob consistência permanente diante dos resultados experimentados pelo indivíduo praticante.
Neste último ano, a casa sacramentou o encerramento de um ciclo de aprendizado valioso e necessário a cada um de nós, até a data de hoje, e que cumpriu plenamente seu papel, dentro de sua proposta principal, baseado em suas crenças e convicções, e que, sem a menor sombra de dúvida, nos guiou em relativa segurança pelos mares incertos que navegamos. Iniciamos, neste ano de 2026, um novo ciclo na Casa, onde nosso principal papel será provocar o despertar interior individual, através do questionamento das crenças baseadas no sistema Teocrático Divino no qual cada um de nós sempre esteve imerso, seja de forma consciente ou inconsciente.
Nosso trabalho continuará, mais do que nunca, a ser pautado na máxima de transformar através da palavra, combatendo, acima de tudo, dogmas e preceitos religiosos escravagistas, repressões psicológicas, emocionais e espirituais fundamentadas em ordenanças evangélicas e religiosas infundadas. Buscaremos quebrar os modelos idealizados e fracassados de um ser humano santificado, criado pelas religiões manipuladoras e sistêmicas que, ao longo dos séculos, mais aprisionaram do que libertaram. Será parte de nosso DNA a arte de tornar cada um o ser humano que cada um realmente é, desenvolvendo o verdadeiro potencial humano-divino existente em nossas veias universais.
Toda estrada possui seus desafios e, talvez, esse seja um dos maiores que estejamos prestes a viver nesta nova estrada, pois coloca em cheque não apenas as nossas crenças, mas, acima de tudo, tudo aquilo construído em nossas vidas com base nestas mesmas crenças, sejam nossas escolhas familiares, religiosas, profissionais, ou mesmo nossa própria identidade, muitas das vezes irreconhecível e desconhecida por nosso íntimo.
Convidamos a cada um dos irmãos a esvaziarem suas mentes e se permitirem a olhar para suas vidas de uma outra perspectiva, entregues a uma nova experiência onde, para lograrmos êxito, será necessária a coragem de questionar e, eventualmente abandonar crenças enraizadas em nossos corações ao longo das décadas vividas. Seguiremos, portanto, conscientes de que o verdadeiro despertar não ocorre sem ruptura, nem a expansão da consciência se dá sem o desconforto do desconhecido. Aquele que desperta precisa, antes, aceitar o colapso das certezas que o sustentavam, pois toda verdade que não suporta o questionamento transforma-se em prisão, e toda crença que teme a luz revela sua fragilidade essencial.
Neste novo ciclo, o Templo se propõe a ser menos um lugar de respostas e mais um espaço de perguntas vivas, onde o silêncio interior será tão valorizado quanto a palavra proferida, e onde o mistério não será combatido, mas respeitado como força geradora de consciência. Caminharemos pelo fio tênue entre razão e intuição, entre o visível e o invisível, compreendendo que o sagrado não habita sistemas, mas se manifesta na experiência direta do ser consigo mesmo e com o Todo.
Cada frater será convidado a assumir a responsabilidade radical por sua própria jornada, compreendendo que não há mestres externos capazes de substituir o encontro íntimo com a própria essência. O que oferecemos não é salvação, mas ferramentas de lucidez. Não é redenção, mas consciência expandida. Não é submissão, mas autonomia espiritual. Aqui, o divino não é um ente distante a ser temido ou venerado, mas uma inteligência viva que pulsa no interior de cada consciência desperta.
Sabemos que este caminho exigirá desapego, coragem e honestidade brutal consigo mesmo. Exigirá abandonar máscaras, títulos, identidades herdadas e narrativas confortáveis. Exigirá atravessar a noite escura da alma, onde o ego se dissolve e a verdade emerge sem ornamentos. Contudo, é somente nesse vazio fértil que o ser humano reencontra sua soberania interior e recorda quem sempre foi, antes de ser moldado e subjugado pelo medo, pela culpa e pela promessa de recompensas futuras.
Que este Templo seja, portanto, um laboratório da consciência, um ponto de convergência entre o humano e o cósmico, entre o verbo e o silêncio, entre o indivíduo e o absoluto. E que cada passo dado neste novo ciclo não nos aproxime de um céu prometido por um Deus invisível, mas de uma presença lúcida, íntegra e desperta no aqui e agora — onde, afinal, a verdadeira iniciação acontece.
frater|André
“Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei”
